segunda-feira, 3 de setembro de 2012

FHC critica Lula e Dilma divulga nota de defesa

Lula, Dilma e FHC se reuniram em maio deste ano durante o lançamento da Comissão da Verdade (Foto por Roberto Stuckert Filho/PR)

No último domingo (2), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou um artigo, nos jornais O Globo e O Estado de S.Paulo, criticando o governo Lula. Intitulado Herança pesada, o texto diz que a presidente Dilma Rousseff recebeu um país em crise moral e com prejuízos materiais, por causa de um “estilo bombástico de governar”. Dilma decidiu não ficar calada. Divulgou hoje uma nota, dizendo que precisava “recolocar os fatos nos seus devidos lugares”.
“Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI (Fundo Monetário Internacional) ou sob ameaça de apagão”, afirmou a presidente, em referência às crises econômicas e energéticas do governo FHC.
No artigo, o tucano criticou os “‘projetos de impacto’, como certos períodos do autoritarismo militar tanto prezaram. Projetos que não saem do papel ou, quando saem, custam caríssimo ao Tesouro e têm utilidade relativa”. Ele falou sobre o déficit da Previdência, a falta de mudanças na legislação trabalhista, além da política energética do governo e problemas na Petrobras. Dilma rebateu: “Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambias recordes.”
Ao elogiar Lula, a presidente deu outra indireta a FHC, que aprovou, durante seu mandato, a possibilidade de reeleição para o cargo de presidente. “Recebi um Brasil mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O ex-presidente Lula é um exemplo de estadista”, escreveu Dilma.
Logo na primeira parte de seu artigo, FHC mencionou o mensalão e disse que “seu partido [o PT] não tem jeito. Invoca a prática de um delito para encobertar outro: o dinheiro desviado seria ‘apenas’ para o caixa 2 eleitoral”, em referência às entrevistas de Lula sobre o caso. O tucano também falou sobre a demissão de sete ministros por suspeitas de corrupção no primeiro ano do governo Dilma. “Pode-se alegar que quem nomeia ministros deve saber o que faz. Sem dúvidas, mas há circunstâncias. No entanto, como o antecessor desempenhou papel eleitoral decisivo, seria difícil recusar de plano seus afilhados.”
Sobre esses assuntos, Dilma não disse nada. Terminou a nota afirmando que aprendeu “com os erros e, principalmente, com os acertos de todas as administrações” que a antecederam.
Época


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